Especialista em Cardiogeriatria

Desde o surgimento da Pandemia, a Telemedicina tem crescido vertiginosamente. 

A Teleconsulta mostrou que veio para ficar, visto que solucionou diversos problemas atuais e prévios.

Dentre essas soluções, cito algumas:

  1. Método seguro de consulta: em caso de sintomas respiratórios, possibilita que o paciente permaneça isolado em seu domicílio;
  2. Promoveu uma maior unificação entre os Estados brasileiros: esse é um ponto que me deixa muito feliz, pois daqui de São Paulo tenho a possibilidade de atender pacientes do Brasil inteiro, inclusive do meu Nordeste que tanto amo;
  3. Facilidade para aqueles com dificuldade de mobilização: para os pacientes com limitações físicas para andar, ou até mesmo acamados, a teleconsulta acaba facilitando muito o acesso ao médico.

A depender da gravidade da alteração que observo na consulta virtual, solicito avaliação presencial.

Como é realizada a nossa Teleconsulta:

Eu solicito aos pacientes que me enviem por email um dia antes da consulta seus exames mais recentes e as receitas da medicações atuais.

No dia da consulta, envio o link da vídeo chamada para o paciente e para os familiares que quiserem participar. Esse é um ponto bem positivo, pois familiares que moram distante podem participar da consulta.

O exame físico é um pouco diferente durante o teleatendimento. Embora tenhamos algumas limitações, é possível realizar um exame físico sumário.

Eu solicito que, se possível, os pacientes tenham um aparelho de pressão e um oxímetro ao seu dispor durante a consulta, pois assim posso avaliar os sinais vitais, como a pressão arterial, frequência cardíaca e a saturação de oxigênio.

Ao final da consulta, as receitas e solicitações de exames são enviados através da prescrição digital, que hoje é válida em todo o país e aceita em qualquer farmácia, hospital e laboratório.

Essas receitas são assinadas digitalmente e enviadas por mensagem para o celular do paciente. É fácil e muito prático.

Em algumas situações, o exame físico mais detalhado é essencial ou até mesmo urgente. Isso ocorre em especial nas queixas cardiovasculares, como por exemplo: falta de ar grave, dor no peito, desmaio, tontura. Nesses casos, em geral é imprescindível a realização da ausculta cardíaca e respiratória.

O que eu tenho feito na minha prática diária é o seguinte: quando o paciente agenda a teleconsulta e, durante o atendimento, identifico algum sinal ou sintoma, ou até mesmo alteração em exames que exijam que este paciente seja examinado presencialmente, solicito que o retorno seja em consulta presencial.

A depender da gravidade da alteração que observo, solicito essa avaliação presencial com mais urgência!

Quer saber um pouco mais sobre os meus atendimentos?

Vou contar pra vocês um pouco sobre a filosofia da Slow Medicine (A Medicina sem Pressa), a qual utilizo em todas as minhas consultas, sejam elas presenciais, teleconsultas ou atendimentos domiciliares.

O princípio da Slow Medicine foi elaborado pelo Instituto Holandês de Slow Medicine e significa A Medicina sem Pressa.

Esse princípio resgata o tempo como parte essencial da abordagem médica. Tempo para ouvir com muito cuidado cada detalhe da queixa, tempo para examinar o paciente por completo, tempo para acolher suas angústias e tempo para sorrir e comemorar os êxitos dos tratamentos.

O tempo é também importante para o médico, que consegue raciocinar melhor. O raciocínio clínico de qualidade é capaz de economizar exames desnecessários e até procedimentos invasivos, pois com tempo para pensar, conseguimos entender melhor do que se trata aquela queixa e nossa investigação se torna mais direcionada.

Esta também é a filosofia da medicina focada no paciente. Utilizamos a tecnologia sim, pois esta sem dúvida revolucionou a medicina. Entretanto, ela é secundária. O paciente é mais importante que os exames complementares. Visamos o cuidado do ser humano como objetivo principal.

Aqui se encaixa perfeitamente a velha máxima: A pressa é a inimiga da perfeição!

A Slow Medicine tem também como pilares a valorização da relação médico-paciente e o compartilhamento das decisões.

A “Decisão Compartilhada” ocorre quando médico e paciente atuam juntos na tomada de decisão, após o médico explicar detalhadamento os prós e contras de cada medida tomada. Essa tem sido uma mudança evolutiva pela qual a Medicina vem passando. Há décadas atrás, a medicina era muito Paternalista, o médico era considerado o detentor do saber e a ele cabiam todas as decisões. Hoje, felizmente, a Medicina entende que é essencial ouvir e considerar as preferências e valores do paciente, dessa forma, dando espaço para ele participar da tomada de decisões a respeito dos tratamentos e procedimentos diagnósticos aos quais se submeterá.